O Governo prepara uma revolução na construção civil

A Ordem dos Engenheiros pede urgência, porque só na Grande Lisboa há mais de 300 mil prédios que não dão garantias de resistir a um grande terramoto.

O Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) estima que 334 mil edifícios residenciais não respeitam os padrões de segurança atuais para resistir ao próximo grande sismo, como o de 1755. Pelo menos 25 mil deverão colapsar.

A repetição de um terramoto de intenso poder destrutivo, como o que arrasou Lisboa há mais de 250 anos, é uma certeza científica.

O simulador do LNEC prevê que, de um momento para o outro, possam morrer entre 17 mil e 27 mil pessoas.

Num seminário no Instituto Superior Técnico (IST), os cientistas convidaram os políticos de todos os partidos com assento no Parlamento para lhes dizer que os sismos são inevitáveis, mas as suas trágicas consequências não.

A prova é a fotografia de uma casa nos Açores, que beneficiou de obras de reforço sísmico e resistiu ao terramoto de 1998, apesar de a seu lado ter outra que ficou reduzida a escombros.

O problema é que as obras de reabilitação urbana, muitas vezes financiadas pelo Estado, não são obrigadas a reforçar a segurança das casas, mas apenas a deixá-las mais bonitas.

E os especialistas avisam: obras de fachada só servem para condenar à morte mais pessoas.

A nova lei da reabilitação urbana, aprovada no ano passado, pela primeira vez prevê a obrigação de reforço anti-sísmico das obras de reabilitação urbana. Mas ainda não foi regulamentada. A Ordem dos Engenheiros avisa o poder político que se a lei não sair do papel incorrem numa negligência grave, passível de responsabilidade criminal.