Número de Imóveis entregues desceu 21% face a 2011

Luís Lima, Presidente da APEMIP, aponta renegociação dos créditos como motivo principal para o decréscimo.

As estimativas da APEMIP – Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal – indicam que no quarto trimestre de 2012 foram entregues cerca de 1.070 imóveis em dação em pagamento, menos 3% que no trimestre anterior. No total, 5.500 imóveis foram entregues durante o ano de 2012, o que representa um decréscimo de 21% face ao ano transato.

No primeiro trimestre de 2012, o número de imóveis entregues em dação atingiu os 2.300, valor que fazia adivinhar um verdadeiro desastre para o mercado imobiliário nacional. No entanto, os trimestres subsequentes revelaram uma quebra nas entregas em dação, ainda que, por parte dos promotores imobiliários o número de entregas tenha aumentado, em oposição às entregas feitas por famílias, que sofreram um decréscimo considerável.

Luís Lima, Presidente da APEMIP, aponta a “consciencialização da gravidade do problema por parte do setor financeiro” como a principal justificação para o decréscimo do valor de imóveis entregues. “No primeiro trimestre de 2012, previa-se um colapso autêntico do mercado imobiliário, com um aumento de 74% no número de imóveis entregues face ao mesmo período de 2011. Os trimestres a seguir revelaram-se mais tranquilos e o balanço do ano de 2012 veio contrariar os meus receios, mostrando bem que o sector financeiro passou a encarar o fenómeno com outra sensibilidade. Os bancos passaram a assumir um papel mais atento e preocupado junto dos seus clientes e criaram deste modo um ambiente mais propício à renegociação dos créditos, que se revelou bastante importante”.

O arrefecimento do mercado imobiliário continua a afetar de forma significativa todos os que investiram na promoção imobiliária e no desenvolvimento de novos projetos e empreendimentos, pelo que, parte significativa dos imóveis entregues em dação em pagamento são oriundos destes atores. Mais detalhadamente, e considerando os 10 municípios mais penalizados no período em análise (Sintra, Guimarães, Entroncamento, Montijo, Lagos, Valongo Figueira da Foz e Tavira), esta realidade representou aproximadamente metade e em alguns casos mais de metade da totalidade dos imóveis em causa.